Nos últimos meses, a crise envolvendo os COEs (Certificados de Operações Estruturadas) voltou a expor um problema recorrente no mercado financeiro: a má prestação de serviços por parte de assessores e corretoras de investimentos.
Em outubro de 2025, centenas de investidores relataram perdas de até 93% do valor aplicado em produtos estruturados vinculados a títulos da Ambipar e Braskem — muitos deles comercializados por assessorias como Messem Investimentos (atual Fami Capital) e corretoras parceiras, como XP Investimentos, Rico e BTG Pactual.
Esses casos acenderam um alerta sobre os limites da atuação dos assessores de investimento e o direito à informação dos consumidores que confiam em instituições intermediárias para aplicar seu patrimônio.
📊 Contexto: a crise dos COEs em 2025
De acordo com levantamento da Valor Investe, as perdas relatadas em outubro de 2025 chegaram a:
- ❌ 93% do capital investido em alguns produtos;
- 💸 Prejuízos individuais variando entre R$ 12 mil e R$ 700 mil;
- 📈 Crescimento expressivo das reclamações nas ouvidorias das corretoras e na CVM.
As empresas mais mencionadas nos relatos foram:
- XP Investimentos (78%)
- Rico (12%)
- BTG Pactual (2,6%)
- EQI (2%)
Entre as assessorias, destacaram-se Messem Investimentos, Fami Capital e Faros Multi Family Office, esta última pertencente ao mesmo grupo econômico.
🏦 Messem Investimentos e Fami Capital: o que dizem as notícias
A Messem Investimentos, que atuava como agente autônomo vinculado à XP, fundiu-se com a Faros Private em 2023, formando o Grupo Fami Capital. Desde então, a Messem “não está mais em operação”, mas a Fami é sua sucessora legal, o que significa que pode responder por eventuais falhas ocorridas no período anterior.
📍 Exemplo noticiado: um investidor aplicou R$ 50 mil em um COE da Braskem, que foi apresentado como “renda fixa com 14% ao ano”.
O resultado? Apenas R$ 17.290 de retorno, ou seja, perda de 65% do valor investido.
O padrão relatado nesses casos inclui:
- Produtos de alto risco vendidos como “seguros”;
- Omissão do risco de crédito do emissor;
- Falta de esclarecimento sobre possibilidade de perda total do capital;
- Ausência de acompanhamento após o investimento.
⚖️ Contexto jurídico e dever de informação
Apresentar um produto de risco como “renda fixa” sem o devido esclarecimento configura violação ao dever de adequação e transparência, previsto em:
- 📘 Resolução CVM nº 30/2021 — dever de verificação de adequação (suitability);
- ⚖️ Código de Defesa do Consumidor, art. 6º, III — direito à informação clara e precisa;
- 📢 Art. 37 do CDC — proibição de publicidade enganosa.
Em outras palavras: se o investidor não foi devidamente informado sobre os riscos do produto, há base jurídica para responsabilizar as instituições envolvidas.
💬 Reclamações contra XP, Rico e BTG
As corretoras XP, Rico e BTG Pactual foram citadas em diversas reportagens — não necessariamente por atuarem de má-fé, mas por falhas na supervisão dos assessores vinculados.
Relatos publicados pela Folha de S.Paulo incluem:
“Perdi mais de R$ 101 mil com o COE XP Braskem 2033 RF Pre.”
“Apliquei R$ 180 mil e recebi de volta R$ 12 mil.”
“Meu prejuízo foi de R$ 267 mil.”
Os principais padrões identificados foram:
- ❗ Omissão de riscos do emissor (Ambipar/Braskem);
- 📉 Apresentação enganosa de produtos como “garantidos”;
- ⚠️ Inadequação ao perfil do investidor (suitability falho);
- 🧾 Documentos técnicos sem explicação acessível ao cliente.
⚖️ Responsabilidade solidária entre assessores e corretoras
O art. 20 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que há responsabilidade solidária entre todos os envolvidos na cadeia de fornecimento do produto:
- O assessor que recomendou o investimento;
- A assessoria onde ele atua;
- A corretora à qual está vinculado;
- O emissor do produto.
👉 Isso significa que o investidor pode acionar judicialmente qualquer um desses agentes para buscar indenização por perdas financeiras, danos morais e falhas de informação.
💡 O que o investidor pode fazer
Se você acredita ter sido vítima de assessoria inadequada ou omissão de informações, siga estes passos:
- Reúna provas — e-mails, prints, conversas, relatórios e materiais publicitários.
- Solicite o DIE (Documento de Informações Essenciais) do produto.
- Registre reclamação na CVM e no Banco Central.
- Procure orientação jurídica especializada para avaliar a viabilidade de uma ação judicial.
Nosso escritório tem mais de 15 anos de experiência em fraudes financeiras e falhas de assessoria, com decisões favoráveis em casos de má condução de investimentos e omissão de risco.
📞 Podemos ajudar
Se você teve prejuízos com COEs, Messem, Fami Capital, XP ou assessorias de investimento, nosso time pode auxiliar na análise do caso, bloqueio de valores e responsabilização judicial das instituições envolvidas.
Entre em contato conosco e receba uma avaliação jurídica personalizada sobre seu caso.
📚 Fontes e Referências
1️⃣ Valor Investe — “Queixas sobre COEs saltam e investidores relatam perdas de até 93% do valor investido”
🔗 https://valorinveste.globo.com/produtos/coe/noticia/2025/10/15/queixas-sobre-coes-saltam-e-investidores-relatam-perdas-de-ate-93percent-do-valor-investido.ghtml
2️⃣ Folha de S.Paulo — “Investidores relatam perdas de milhares de reais em COEs de Ambipar e Braskem”
🔗 https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/10/investidores-relatam-perdas-de-milhares-de-reais-em-coes-de-ambipar-e-braskem.shtml
3️⃣ CVM — Resolução nº 30/2021: dever de adequação (suitability)
🔗 https://conteudo.cvm.gov.br/legislacao/resolucoes/resol030.html
4️⃣ CVM — Resolução nº 160/2022: ofertas públicas de distribuição de valores mobiliários
🔗 https://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/resolucoes/anexos/100/resol160consolid.pdf
5️⃣ Código de Defesa do Consumidor — Lei nº 8.078/1990
🔗 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm
